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Kawoana Viana (de branco) e equipe de mentores do Cientista Beta

Em 2015, a gaúcha Kawoana Viana, além de estudar medicina na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), acumulava as responsabilidades de ser bolsista da Fundação Estudar e embaixadora da Choice – uma rede de lideranças jovens engajadas em causas de impacto social. 

E, como se fosse pouco, ainda encontrou tempo para criar um novo projeto: o Cientista Beta, um site de conteúdos e programa de mentoria para estudantes do ensino médio e técnico que têm vontade de se aventurar no universo da pesquisa científica. 

Kawoana fez o ensino médio em um colégio técnico de Nova Hamburgo (RS), onde teve a oportunidade de desenvolver projetos de iniciação científica. Em 2011, quando estava no último ano do ensino técnico, a estudante foi convidada a participar da maior feira de ciências do mundo, a Intel ISEF.

Já na universidade, a criação do Cientista Beta nasceu do cansaço das responsabilidades “passivas” da graduação. Um dos desejos da jovem era ajudar outros adolescentes inquietos que pretendiam aplicar os conhecimentos acadêmicos na resolução de problemas do mundo contemporâneo. 

“Encontrei muitos obstáculos durante a minha jornada científica no ensino médio. Ia atrás de professores nas universidades para me ajudar, mas dei muitas vezes com a cara na porta. O Cientista Beta foi a forma que eu encontrei para ajudar estudantes a não enfrentar tantos problemas", relembra. 

Kawoana conta que necessitava compartilhar suas experiências com esse público específico. "Por isso, primeiro fiz os conteúdos para o site sobre metodologia científica e depois desenvolvi a Mentoria Decola Beta”, diz. 

Mas ela também ressalta o lado bom das dificuldades enfrentadas. “Isso contribuiu muito para que eu desenvolvesse uma certa resiliência e cada vez mais buscasse fazer tudo muito bem feito”, afirma a estudante de medicina. 

Neste ano, mais de 150 estudantes participaram dos diversos programas disponíveis na plataforma. No Mentoria Decola Beta, foram desenvolvidos 70 projetos em todas as áreas do conhecimento, com a orientação de 50 mentores. A maior parte deles, entretanto, é de exatas e biológicas – e voltadas para solução de problemas atuais, não focados em ciência básica.

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Cientista Beta

A pesquisa da jovem cientista Sarah Evellyn Borges, de Rio Branco (AC), por exemplo, busca formas de suprir as necessidades de alunos superdotados – a estudante até chegou a escrever um projeto de lei sobre o tema, representando seu estado no programa “Jovem Senador”. Já a pesquisa de Gean de Oliveira, de Londrina (PR), estuda uma forma de usar o pseudocaule de uma bananeira para a formulação de um bioplástico sustentável que degrada mais rápido.

Os interessados em participar do Cientista Beta passam por um processo seletivo no início do ano e devem estar matriculados no ensino médio e técnico. Já para se tornar um mentor, basta ter experiência prévia com projetos científicos e ter terminado o ensino médio – podem ser estudantes de cursinhos, graduandos ou pós-graduandos.

Kawoana faz questão de ressaltar que não é uma estrela solitária dentro da iniciativa e enaltece a participação de Mariana Rau e Giovani Novelli, também responsáveis pela gestão do projeto. "O impacto não seria o mesmo", diz.

Desafio

A empreendedora Kawoana faz uma pequena provocação e lança um desafio: “Esqueça todas as certezas que você tem, todas as verdades absolutas. Agora pense se você está despido de suas certezas, qual é a pergunta que te move? Qual é a pergunta que você gostaria de responder? Aquela pergunta que te acompanha todos os dias. Proponha-se a respondê-la.”

Por Ana Chiavegatti