Às vezes, uma ideia é tão boa que dizemos: "Como nunca pensaram nisso antes?" Porém, é preciso lembrar que ideias, por si só, em geral não mudam o mundo se não são postas em prática. Pois um grupo de estudantes do último ano do curso de Engenharia de Controle e Automação do Instituto Mauá de Tecnologia inventou um piso sustentável que transforma a força das pisadas das pessoas sobre ele em energia elétrica limpa. Como nunca pensaram nisso antes?

Créditos: Divulgação/Greenway

Uma ideia para criar pegadas efetivamente ecológicas

O projeto foi criado como TCC de Guilherme Couto Gonçalves, de 23 anos, Maria Eugênia Lagua, 23, Bruna Stuber Menascé, 22, e Gabriel M. Bob, 22. Eles começaram a conceber o piso no começo do ano e apresentam o protótipo agora, no final de outubro, no campus do Instituto Mauá em São Caetano do Sul (SP), na 23ª edição do Eureka. O evento reúne trabalhos de conclusão de curso altamente inovadores das áreas de engenharia, administração e design.

E o invento já caminha a passos largos para ser muito mais que um TCC. Os estudantes montaram uma startup, a Greenway, para transformá-lo em negócio, e, em março, passaram a ser apoiados pela aceleradora Bizup.

Prêmio vai pagar R$ 20 mil para os TCCs mais criativos

Quem explica o funcionamento do piso é Guilherme Couto Gonçalves: "O sistema transforma o movimento vibratório dos passos em pulsos elétricos pela combinação de mecanismos mecânicos e eletrônicos", diz. "Optamos por fazer a peça de madeira, pois o material ajuda a amortecer a força da pisada e otimiza o aproveitamento de sua energia."

O protótipo é constituído de um hexágono cujos lados medem 20 cm cada um. Sua altura é de 10 cm, e ele fica em uma caixa de madeira que abriga dentro os aparatos para a transformação da energia mecânica em elétrica, armazenada em uma bateria.

Créditos: Divulgação/Greenway

Uma pisada gera 4 watts de energia

"A princípio, pensamos no produto para ser alocado nos acessos para catracas do metrô ou nas entradas de estádios, lugares em que passa muita gente", afirma Gonçalves. "Mas ele também pode ser aplicado em ambientes inteiros."

Uma pisada sobre o hexágono produz uma energia de 4 watts. Em sua demonstração no Instituto Mauá, o público poderá constatar que uma pegada vai acender 72 pequenas lâmpadas de LED que contornarão os lados da peça.

Depois da apresentação do TCC, o desafio é encontrar investidores-anjo para viabilizar a produção comercial do piso. A Anjos do Brasil já manifestou interesse, segundo Gonçalves.

Falando em valores, ele calcula que o protótipo, se fosse colocado à venda, custaria R$ 2.000, preço que cairia na medida em que a fabricação ganhasse escala.

Por QSocial